quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O elenco e a origem da história

Jorge é um jovem policial, iniciou seu curso na academia de polícia no ano passado e acabou de receber seu distintivo. Seus olhos sempre brilham quando ele fala sobre sua profissão. Ele é alto, forte, moreno, usa óculos, tem em seu braço direito uma tatuagem que faz alusão ao brasão de sua família. Jorge é agora um policial de ativa e acabou de ser destacado para um agrupamento de combate ao tráfico de drogas. Ele está feliz por ter conseguido entrar para a equipe tática, tudo com base em suas notas no curso. Jorge até então é justo, honesto, honrado e deseja profundamente exercer seu oficialato com dignidade e respeito à legislação, mas Jorge não conhece a realidade, não ainda.

Mustafá é o apelido de Orlando, que é hoje sargento no destacamento em que Jorge foi selecionado. Por sua experiência na polícia ele foi designado pelo comando, mas ele nunca foi um policial exemplar, apesar de não responder a processos por abuso de autoridade nem por qualquer crime ligado à profissão.

Ricardo é cabo e grande amigo do soldado Ferreira, vivem sempre juntos, ambos respondem por crime de tortura no Tribunal Penal Militar, mas são inocentes. Fora esse incidente em que um menor foi apreendido após cair de um muro quando fugia da polícia há três anos, nada há em suas fichas que lhes desabone.

É este o agrupamento designado para o combate do tráfico de drogas na região de Senil, na comarca de São Petrônio, interior do Mato Grosso.

A história que aqui será transcrita foi contada por um velho senhor advogado da região, já aposentado, que trabalhou no caso atendendo os policiais na delegacia no momento de suas prisões. Todos os policiais foram presos e hoje precisam se defender utilizando-se da classe que eles mais odeiam, os advogados. Tudo isso saiu exatamente conforme aqui escrito das palavras mansas daquele advogado que optou por não ter seu nome divulgado.

Um dia comum

Mustafá, após receber a ordem de seus superiores, adentrou-se numa sala com os seus subordinados e iniciou sua fala trazendo a estruturação das estratégias para desarticular a quadrilha que vem assolando o bairro de Senil. Aquela quadrilha já tinha tomado conta de toda a estrutura social do bairro. Por ser uma região relativamente grande, os meliantes já tinham adquirido um poderio considerável, já se armaram e extorquiram cada comerciante daquele bairro a pagar-lhes uma parcela de todas as vendas, uma forma de imposto destinado à facção, que eles chamavam de dizimo.

Mustafá dizia firme que iniciariam os trabalhos à paisana, que os policiais deveriam se infiltrar na comunidade para montar o dossiê com as informações necessárias para a identificação e captura dos envolvidos. Nesse momento Jorge tremia, pois nunca tinha participado de uma missão real, nada além de sentinela teria ocorrido em toda a sua recente carreira militar. Ricardo e Ferreira acharam estranho a necessidade de se infiltrarem à paisana, mas toparam sem nenhum questionamento as determinações do sargento.